Eu sou uma privilegiada. Amo o que eu faço, tenho uma família maravilhosa e, graças a Deus, muita saúde. É mais, muito mais do que a maioria, não é verdade?
Fiz Arquitetura, mas acabei descobrindo que ensinar é meu ofício. Muitos diziam que trocar a prancheta pela sala de aula era caminhar pra trás. “Vai ser o quê? Professora? Outra pra passar fome…” Contra a maioria das previsões que apontavam que teria uma vida mais glamourosa como arquiteta, sou uma professora relativamente conhecida graças a uma oportunidade que agarrei há uns sete anos, participar do projeto Globo Educação. Sou responsável pelas aulas de Redação e há outros excelentes professores no projeto. Nele a gente se sente um pouco “estrela”, sabe como é? No começo, estava nervosíssima, mas a equipe é tão maravilhosa que tudo ficava fácil e simples.
Apenas uma vez, é verdade, as coisas não foram exatamente fáceis ou simples. Tenho histórias maravilhosas sobre as gravações, mas a que eu vou contar hoje foi especial. Eu tinha decidido falar sobre Narração, um tipo textual que faz parte da vida de todas as pessoas. Para funcionar, eu precisava de uma narração que, além de interessante, fosse curta porque o tempo na televisão é escasso. Eu me lembrei de uma curta narrativa de Millôr Fernandes, O Coveiro. Seriam necessários apenas dois atores e um local que parecesse um cemitério. Bastava uma cruz, uma lápide e um buraco no chão.
No dia da gravação, achei estranho que fôssemos gravar à noite porque as gravações eram sempre durante o dia. Paulinha, responsável pela produção, indagou: “Mas a história não se passa à noite?”. Na minha cabeça, a Globo faz dia virar noite, faz nevar em dia sol, faz até mulher feia ficar linda. Por isso, estranhei.
Gente, estranhei muito mais depois. Pode parecer óbvio pra vocês, mas a tal gravação ia ser num cemitério de verdade. Eu achava que, em estúdio, seria bem simples “criar” um cemitério…
Pedro Paulo, o motorista que constantemente me buscava naquele ano, foi o responsável por me levar. Eu nunca, nunquinha mesmo, pensei que estaria viva dentro de um carro que cruzava os portões enormes do Santo Amaro. Eu sempre pensei que isso só aconteceria no dia de meu enterro. E lembrem que era à noite, precisava ser por causa da tal atmosfera e porque só liberaram a gravação naquele local depois das 19 horas porque o cemitério estaria fechado.
Nunca pensei que o cemitério de Santo Amaro fosse tão grande. Pedro Paulo dirigiu e dirigiu e dirigiu ali por dentro e parou num local em que não se poderia mais seguir de carro, só a pé. Ele desceu, apontou uma luzinha distante onde estaria a equipe me esperando e disse: “Pronto, professora, é só seguir até lá. Eu tenho que voltar à televisão para pegar um material e volto daqui a pouco.”
Eu olhei pra ele certa de que ele estava brincando e disse: “Pedro Paulo, você quer que eu vá até lááááá sozinha????”
Acho que, por pena e gentileza, ele me acompanhou. Não tenho medo de gente morta, viu? Mas andar aqueles metros, no escuro daquele ambiente, sozinha, só se eu estivesse morta mesmo.
Lá estava o grupo de sempre: Cesinha, Amaro e Clarissa. E três pessoas novas: os dois atores e um assistente que cavava uma cova.
A produção caprichou. Tinha até a máquina de fazer fumaça. Normalmente, eu e Clarissa deixávamos nossas bolsas no carro, mas lembrem que o carro estava longe. Daí perguntei: “Clá, onde você deixou a bolsa?” Ela disse: “Ah, tá com Gladislene.” Na hora, eu pensei que era alguém nova na equipe com quem eu poderia deixar também a minha. Então, ela apontou pra bolsa em cima de um túmulo. O túmulo de quem? Claro, de Gladislene. Aquela noite ia render, minha gente…
Tudo pronto pra começar a gravar, fui para a minha posição, e Amaro me disse: ” Professora, a senhora começa a falar e a gente vai começar a soltar fumaça. Não pare, ok?” Depois de enfrentar Gladislene – que Deus a tenha – uma fumacinha não ia me assustar, né?
Eles só esqueceram de me avisar que a tal máquina de fazer fumaça dá um estalo quando é acionada. Cesinha deu o OK, eu comecei a falar e, quando eu ouvi o estalo inesperado, eu simplesmente corri. Cesinha olhava pela lente e, no meio daquela fumaça, cadê a professora?
Nunca dei tanto trabalho pra gravar uma daquelas aulas… Errei a sequência, esqueci o texto, gaguejei… Juro, juro, juro que, por trás de Cesinha, na parte mais escura do cemitério, vi uma sombra passar. A minha cara, no making of, de verdadeiro susto é a prova de que eu vi realmente alguma coisa. Isso já rendeu muitas risadas. Claro que o making of não foi ao ar, mas, se vocês quiserem assistir a essa e às outras aulas desse projeto fabuloso que consegue fazer, no Brasil, o professor ser momentaneamente uma estrela, busquem os vídeos no pe360graus.
Clarissa, Cesinha, Amaro, Pedro Paulo, Paula Delgado, Sônia Azoubel, Jucielo e Jô, equipe responsável pelo projeto naquele ano, muito, muito obrigada por essas lembranças.

kkkkkkkkkkkkkk ri muito, Nanda!!! Você é maravilhosa! Ótimo texto, belas e assustadoras experiências!
Bruninha, foi muito divertido mesmo, mas que o susto foi grande, ah isso foi. Virão mais histórias por aí, e eu sei que você estará sempre por aqui me prestigiando. Beijo.
hauuahhuuahuhahuauhahu!!! Fernanda, parece que você tem um ímã para essas aventuras engraçadas.
Artur, eu também acho, viu? Mas, hoje, eu só dou risada com essa história. Beijo, meu lindo.
Histórias gostosas como esta fazem a gente abraçar a labuta com unhas e dentes. Acho que toda profissão deve ter, sim, um teor sério. Uma pitadinha de descontração, contudo, dá uma mãozinha à produtividade. Eis acima um exemplo.
Bjs!!!
Cinthya, concordo com você. Obrigada por prestigiar o meu blog. Beijo.
Não tinha outra história, outro autor, pra você pensar? Eu pensaria… A Pequena Sereia, Cinderela, Branca de Neve, ou algo mais divertido.
Do jeito que tenho abuso dessas coisas (e você sabe), jamais faria uma cena dessas. Acho que estaria correndo até agora, antes mesmo de começar.
Mas o bom é a gente ter histórias pra contar, principalmente quando são engraçadas. Sempre levamos uma lição. Eu, por exemplo, pra me livrar de uma aula de vídeo, na 6ª ou 7ª série, fugi com uma galera pra um local idêntico ao da sua gravação, mas fomos capturados pela professora de ciência através de um grito no meio da praça. =/
Estou gostando muito dessa nova formatação do site, com esse espaço pra historinhas e tal.
Beijos =)
Lelinha, eu também prefiro histórias mais levinhas, mas fazer o quê??? Rsrsrsrsrs. Que trela a sua, hem? Beijo, querida.
Eu tenho algumas trelas pra contar =)
Fica escrevendo sempre, vai!
Gostei tanto…
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Fernanda, vc já escreveu ou já pensou em escrever um livro com suas melhores histórias? Se não, faça isso, viu? Esse, ar de comédia com suspense ficou 10!Ri, muuitooooo agora!kkkk beijos
Fabi, quem sabe, um dia, eu não publique algo? Obrigada, querida. Beijo, beijo, beijo.
Agora lembrei da história da pracinha do Diário, do táxi, da chuva… (lembra?) Faz essa história também.
Eu não me lembro, Lelinha. Conta pra mim, vai. Beijo.
Fernanda, acredite se quiser! Não li a “Aula no cemitério”, de modo que deixarei para responder depois. Estou muito apressado. Vou sair agora.Fique tranquila, pois mais tarde apreciarei tudo o que escrever no seu novo Blog.
Abraços cordiais.
kkkk…Nanda imagino como vc sofreu pra gravar essa aula!! Adorei a sua bolsa com Gladislene!!! Tadinha, que sufoco!!! Bj
Na hora foi, Tarci. Hoje dou muita risada. Beijo.
MInha linda professora!!!! Que houve??? kkkkk aulas em cemitério??? KKK
Primeiro o filho que ia nascer,agora aula em cemitério!!! fala sério!!!!
Um grande beijo!!!!
Katita, mas este filho-blog é lindo, não é? Algumas histórias são tragicômicas porque minha vida é um bocado assim. Beijo.
Nanda,sem dúvida o seu filho é lindoo!! Olha,será que vc poderia me enviar alguns títulos legais p/uma turma “sedenta”por produções textuais?
Te agradecerei eternamente.Bjs!!!
segue e-mail:krmkatia@hotmail.com
Saudades de vc.Diz a Franci que tb sinto saudades!!!!!!
Já enviei, Katita. Quando precisar, estarei por aqui. Beijo.
Tia Nanda! Não tinha visto ainda seu blog, está lindo! e ah, ainda bem que a senhora não virou arquiteta, fez um bem maior pra humanidade!
hahaha saudades enormes, tia Nanda! um beijão!
Nahy, amanhã já tem texto novo por aqui. Não deixe de dar uma olhadinha. Saudades de vc, querida. Beijo.
Nunca me esquecerei deste acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas…
Você já foi visitar Gladislene depois desse dia?
Xêro
Bentinho, nem que eu quisesse eu conseguiria encontrar a tumba dela naquele lugar tãoooooooo longe. Nem que eu quisesse, e – Deus me perdoe – eu nunca quis. Mas já rezei várias vezes pela alma dela, viu? Beijo, meu querido.
Boa noite,linda e adorada amiga!!!!
A saudade é tanta que sempre possível passo por aqui e deixo um lembrete!kkkkk Sei o quanto seu tempo é curto,mas queria que se vc pudesse,me enviasse algum material para que eu possa tirar dúvidas dos meus alunos(vírgula,acentuação,metáfora…) Ou até um site onde eu possa encontrar.Um abraço sincero,
kátia Monte.
Katita, minha vida está uma loucura, mas enviarei, até o próximo fim de semana, um material legal para você. Beijo.
Oi,linda amiga! Mais um a vez passo para desejar-te um início de semana maravilhoso.Também que não esqueça do meu material,viu? Te adorooooo!!!!
bjs!!!!
Texto maravilhoso, parabéns!
Obrigada, querido. Espero sua visita mais vezes, ok?
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk eu to rindo muuuuito!!! Nandaaaa! To passando aqui pra desejar um feliz aniversário pra vc! Tudo de melhor na sua vida… apesar da distância todos esses anos, não esqueço de vc… Vou terminar o mestrado em outubro já e no fim do ano vou tentar seleção de doutorado…
Beijããão bem grandão!
Saw
Saw, que bom que vc não me esquece, querida. Estou muito orgulhosa de sua trajetória. Parabéns!!! Beijo.
Nossa prof. logo vc!kkk…no curso(contato) suas historias ja era boa.Não esqueço vc
Obrigada, querida. Beijo.
Fernanda ,qual é a diferença entre linguagem não verbal e linguagem visual?Obrigada .Beijossssss. Dani
Dani, a linguagem não verbal obrigatoriamente não apresenta nenhuma palavra. Beijo pra você, querida.
Muito engraçado Fernanda!!! kkkkkkk
Bjus, saudades de tuas aulas.
Que bom que você gostou, querida. Mas, no dia, foi um sufoco!!! Rsrsrsrsrsrsr
Ooooowwwww… tadinha da minha professora. Mas é inevitável não rir. haiuahiahiahaihaiuhaiuhaiuahia. Por amor a nossa profissão a gente faz coisas que até Deus duvida, não é mesmo!?
Que Deus te abençoe cada vez mais.
Beijos!
Maurinha, quanta saudade, querida. Que bom tê-la aqui. Beijos.
Fernanda, quando feminino, o correto é: Gerente Administrativa Financeira ou Gerente Administrativo Financeira?
Fábia, apenas o segundo elemento assume a forma feminina: a Gerente Administrativo Financeira. Beijo.
Gente, Tou nervoso pra fazer essa prova do enem nesse final de semana,
queria alguns conselhos ….
Felipe, agora é hora de tranquilidade. Faça o seu melhor, siga as orientaçōes e tenha sucesso. Beijo.
adoro suas dicas e vou, sempre te acompanho e vou usalas no enen,um beijo.
Alexsandra, boa sorte na prova de hoje. Beijos.
adorei o site voçê e maravilhosa, um beijo.
Iniciei o curso com vc. este ano mais não foi possível concluir, voltarei no próximo ano. Sei o quanto vc. é maravilhosa. Gostaria de te presentear com uma sessão de cuidados com a pele da linha MARY KAY (uma linha americana anti-idade de cuidados com a pele). Se vc. ainda não conhece, me liga pelo fone 99170724 ou pelo meu e-mail. Beijão.
Marta, muito obrigada, querida. Ainda vivo as loucuras dos últimos vestibulares, mas, no início de dezembro, entrarei em contato. Beijo carinhoso.
Oi Fernanda,adorei o site, gostei muito do texto, assisti todas as suas dicas no projeto educação. Por favor mim responde uma coisa, eu sei que a palavra sabado tem acento sábado, mais de tanto eu ver sem acento eu escreci em um texto super serio. Você acha que é um erro fatal??? rs rs fiquei muito triste.
Não é fatal, mas, como toda proparoxítona é acentuada (médico, código, bêbado…), chama um pouco a atenção a ausência desse acento. Mas é melhor esquecer de colocar do que colocar em lugar errado, entende? Beijo.
Para você também, querida.